Festival Alto Verão

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por Carlos Messias | 18/01/2010
Festival Alto Verão Imagem: Carlos Messias

Auditório Ibirapuera

São Paulo - SP
16 de janeiro
 
Veja mais apresentações: Móveis Coloniais de Acaju | Cidadão Instigado
 
Na segunda noite do festival Alto Verão, os cuiabanos do Macaco Bong voltaram a subir ao palco do Auditório Ibirapuera. Para quem aguardava mais uma das apresentações diretas e barulhentas do trio, uma grata surpresa: da iluminação à qualidade do som, passando pela seleção de convidados e, obviamente, pela configuração de teatro, tudo foi meticulosamente planejado.
 
As duas apresentações (no dia 15 e no dia 16) resultarão em um CD ao vivo do grupo, a ser lançado em maio próximo pela Monstro Discos. Mas, pragmatismos à parte, o show foi, sim, um grande espetáculo para quem estava lá. A banda abriu com a garageira “Amendoim” e, logo em seguida, mostrou que a noite teria um algo a mais.
 
Chamaram ao palco o prodígio do piano Vitor Araújo, o naipe de metais da banda Móveis Coloniais de Acaju, Siba – do Mestre Ambrósio e, mais recentemente, Siba e a Fuloresta – na rebeca e, como não poderia deixar de ser mencionado, Jack, percussionista do Porcas Borboletas.
 
Os convidados acompanharam a banda na execução das faixas de Artista Igual Pedreiro e elevaram a típica viagem introspectiva do grupo um nível acima. Desde as passagens sutis de Araújo até as notas propositalmente dissonantes de Siba, o “garage do cerrado” do Macaco Bong foi muito bem aproveitado pelo seu experimentalismo, comprovando o potencial de emancipar-se do rock e a força dos arranjos, que jamais pediram por um vocal.
 
Jack, o percussionista, quase roubou a cena. Vestido de pai de santo, o músico entrava de cabeça no clima de cada música e, com pandeiro em mãos, parecia tocar com o corpo todo, revirando-se no chão e jogando o instrumento para cima. Sem contar que causou com uma lata vazia de tinta, dançou capoeira e até cantou. Fenômeno.
 
Além das faixas do debute e de algumas inéditas (foram quase duas horas de apresentação), o Macaco Bong ainda tocou dois covers – novamente como um trio -, curiosamente, ambas as faixas tiradas de Nevermind, do Nirvana. Foram elas: “Drain You” e “Stay Away”. Na primeira, o guitarrista Bruno Kayapy compensou a ausência de vocais com fraseados na guitarra, e a estratégia até que funcionou. Isso sem falar na característica virada brusca no meio da música, com riff dinâmico e bateria pungente, o que Bruno e o baterista Ynaiã Benthroldo reproduziram sem rebarbas. “Stay Away”, do início ao fim, também serviu de pretexto para o couro comer no palco.
 
Foi um belo show que, mesmo se tratando de uma banda instrumental, não deu espaço para tédio. Vai render um belo disco ao vivo e, por si só, é incentivo para conferir futuras apresentações do grupo. E ele ainda está só começando.    

Comentários

Terça, 19 de Janeiro de 2010, 20:17:57
Pedro

O Siba não toca violino. Toca Rabeca.

Quarta, 27 de Janeiro de 2010, 16:01:42
Carlos Messias

Informação corrigida, Pedro. Obrigado.

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