Florence Welch: “Tenho medo da vida, não do palco” Inglesa canta hoje em São Paulo; leia entrevista


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por: Rodrigo Ortega | 24 de January de 2012 - 10:34:43



Imagem: Divulgação
Florence Welch dá entrevistas com uma voz muito mais baixa e suave do que quando canta. A ruiva, sempre um passo à frente da beira de um ataque de nervos nos clipes dos dois discos do Florence and the Machine (Lungs, de 2009, e Cerimonials, de 2011), está sentada em uma poltrona branca, apreciando uma taça de Guaraná Zero. Ela fala sem se exaltar sobre moda, questões existenciais e shows no Brasil. Florence canta hoje em São Paulo, dia 25 no Rio de Janeiro e dia 28 em Florianópolis, no Summer Soul - mesmo festival que recebeu um dos últimos shows de Amy Winehouse, no ano passado. 

A inglesa 25 anos está desde a semana passada no Brasil e foi fotografada com um novo e misterioso namorado em passeios turísticos no Rio de Janeiro. Ela não foge de opinar sobre questões mundiais importantes (regulação da internet, Lana Del Rey), mas parece preocupada mesmo com o fato de não conseguir controlar seus sentimentos, nem prever a chuva que caia em São Paulo enquanto ela conversava com a Billboard Brasil.
 

Quando você chegou ao Brasil?

Semana passada. Eu nunca tenho tempo de viajar ou ver as coisas. É sempre tocar, trabalhar. Então dessa vez eu queria sentir o lugar.

Qual foi  seu programa favorito aqui até agora?

Nós subimos uma pedra enorme. Passamos por uma floresta e então chegamos à pedra. Pude ver o Rio de Janeiro inteiro na minha frente: o mar, a cidade e as montanhas. É tão incrível...

Você já disse que, quando fez seu primeiro disco, estava ouvindo hip-hop. O que ouvia enquanto fez Cerimonials?

Muito soul… “What The Water Gave Me” é uma mistura de soul e de ouvir coisas como Rolling Stones, Freddie King, “blues pesado”. Soul e “blues pesado”.

Você parece muito segura do que queria no novo disco. Não houve momentos de dúvida?

É engraçado, porque o disco mudou, sim. Começou como uma coisa mais eletrônica, dançante. E enquanto tocávamos, o álbum foi indo para um lugar mais orgânico. Parece que o disco se tornou o que queria ser. Começou a ter mais órgão, mais bateria, de alguma forma começou a mudar. Mas não houve um momento em que eu nãou soube o que fazer, apenas aconteceu.

Você se vê como uma personagem quando está no palco ou acha que é a mesma pessoa no palco e na “vida real”?

Eu acho que sou uma pessoa confusa na vida real. Mas no palco, sou segura. Parece que eu sei quem eu sou no palco, eu sei quem eu sou nas canções. Mas fora, eu não sei o que está acontecendo(risos).

Você acompanha o que as pessoas estão dizendo sobre a Lana Del Rey? Muitos a criticam por não ser “autêntica”, por ter criado um personagem...

As pessoas sempre fazem isso. É ação / reação, eu acho. É uma coisa triste que acontece com artistas mulheres, as pessoas sempre achando que há alguém por trás. Quando você está sendo você mesma, as pessoas sempre acham que há algo criando você. É uma indústria musical que tem sida dominada por homens e há muitas cantoras aparecendo. As pessoas querem pensar que há alguém movendo as cordinhas.

E você gosta do estilo e das músicas da Lana Del Rey?

Acho ótimo! Ela é ótima, adoro aquela música “Video Games”, uma canção linda, perfeita. E eu gosto também de “Blue Jeans”, aquele vídeo é incrível, muito evocativo. Ela está criando essa imagem da qual eu gosto muito. Aprecio o estilo dela e o que ela está fazendo.

De onde veio seu interesse por moda?

Sou assim desde criança, sempre fui interessado em roupas, em livros de moda legais. Eu estava sempre criando personagens, brincando com jogos imaginários, interessada em fantasias.

Você acha que seu estilo tem influenciado outras mulheres?

Não sei, não penso muito nisso. É assustador pensar em você mesma como alguém que possa influenciar os outros. Eu só faço o que parece legal pra mim e se isso inspira as pessoas... Tento não pensar muito nisso.

Talvez a influência seja incentivar a liberdade.

Sim, eu acho que posso influenciar as pessoas a se sentirem livres e se expressar de uma maneira que seja certa para elas, isso é uma coisa boa.

Você está no Brasil para tocar no festival Summer Soul. Qual a importância do soul na sua música?

É uma influência enorme. Otis Redding, Sam Cooke, Etta James, que infelizmente faleceu esses dias. Eu comecei cantando soul music e eu sou fortemente influenciada por soul. Fui até descrita como “indie soul” no começo.

E esse termo, “indie”, faz sentido para você?

Não tenho certeza, não quero classificar meu som. Eu não estou em um selo independente. Mas na música que toco não tenho ninguém dizendo o que devo fazer, faço música de uma maneira independente. Mas o que “indie” significa? Não sei muito bem, então não gostaria de me rotular.

E vindo desse universo independente, mas estando em uma grande gravadora, o que você acha da discussão sobre o compartilhamento de arquivos na internet?

A Internet é provavelmente a maior invenção desde a roda e vai fazer o que quiser, eu acho. Parece que está fora do nosso controle agora, nós criamos algo e... é isso. Eu vou  continuar fazendo música. Se as pessoas ouvem, não me importo como, se eles pagaram ou não por isso, eu não ligo, de verdade.

O que você sente antes de um show? Como acha que será no Brasil?

Fico empolgada, não tenho medo do palco, porque realmente gosto de me apresentar. É um lugar confortável pra mim. Eu tenho medo da vida, não do palco. Eu me sinto desprotegida fora do palco. Não há conclusão para nada. É tão frustrante para mim, pois eu sou uma verdadeira maníaca por controle. Por que eu não sei exatamente o que vai acontecer? Eu queria poder prever o futuro, não gosto da sensação de não saber o que vai acontecer. No palco eu sei. É como saber a previsão do tempo, poder controlar as emoções. E fora, você não pode prever o tempo. Houve uma grande chuva há cinco minutos [houve mesmo uma tempestade à tarde em São Paulo] que eu não sabia que ia acontecer.

Nessa turnê de Cerimonials você teve que deixar pra trás algo do repertório de Lungs?

Acho que o primeiro disco ainda está fresco para o público aqui, então não vamos privar as pessoas de ouvir o que elas querem. Então vamos incluir todas essas coisas. Dá pra juntar os dois discos sem problemas.

Então “Dog Days Are Over”...

Eles não terminaram [em inglês, “They´re not over” - Florence faz um trocadilho com o título da música]. Eles continuam! (risos)